História

Papa anuncia a maior reforma da Igreja Católica de todos os tempos

Ao rezar na manhã de domingo a missa da Basílica de São Pedro, o Papa Francisco anunciou que levará à frente o maior processo de consulta popular da história da Igreja Católica para adaptá-la aos novos tempos. O processo baseia-se num plebiscito gigantesco através do qual poderão ser ouvidos 1,3 bilhão de católicos a respeito do futuro da Igreja. Todos os católicos poderão votar e as mudanças mudarão as estruturas de poder do Vaticano.

Papa Francisco lança consulta popular sobre futuro da Igreja Católica

O plebiscito, que assim pode ser chamado, será realizado ao longo de dois anos, contados a partir deste 2021. Na minha opinião, será também a maior reforma da Igreja Católica depois da implantada pelo Papa João XXIII, na qual o Vaticano reconheceu que o ser humano deve se realizar tanto no céu quanto na Terra. A Encíclica de João XXIII abordou também o tema social, desdobrando-se numa outra importante iniciativa, propondo a união da população com o Congresso.

GRANDES REFORMISTAS – João XXIII e o Papa Francisco são os grandes reformistas da Igreja Católica. Na manhã de domingo, na Praça de São Pedro, Francisco indagou: “estamos prontos para a aventura ou estamos com medo do desconhecido, preferindo o refúgio nas desculpas habituais? Mas não vamos isolar os nossos corações, não vamos nos abrigar em nossas certezas”, acrescentou. Vários pontos serão debatidos: ordenamento de mulheres, o divórcio, o celibato e também os relacionamentos homossexuais. Serão pontos essenciais da reforma para que a Igreja contenha a perda de fiéis, inclusive acentuada pelos escândalos de abusos sexuais e corrupção cometidos por uma estrutura que pouco mudou através dos séculos.

João XXIII (foto) e o Papa Francisco são os grandes reformistas da Igreja Católica

Da mesma forma que os conservadores que em 1958 se opuseram a João XXIII, os conservadores de hoje também se opõem ao Papa Francisco e já começaram a se manifestar contra o plebiscito de renovação. Para mim, no fundo, encontra-se também em jogo a manutenção da riqueza e de uma aliança que atravessa o tempo entre o poder político, o poder econômico e o poder do Vaticano, que no passado pesava muito mais do que no presente, mas que mantém a sua aliança com um sistema de poder e de concentração de renda.

CONTRADIÇÕES – A fome, inclusive, continua e o trabalho semi-escravo permanece num universo marcado por pelo menos quatro contradições fundamentais: existência e eternidade, corpo e espírito, um sinal de mais e um sinal de menos, o capital e o trabalho. Inclusive, trata-se de um elenco de símbolos que regem a vida e asseguram o equilíbrio da espécie humana.  

A fome no mundo é uma das preocupações e foco da reforma da Igreja Católica

Mas, dos quatro símbolos, a contradição entre o capital e o trabalho é a única que pode ser solucionada dentro do espírito cristão que nem sempre prevaleceu no Vaticano. O período de Eugênio Pacelli, Pio XII, que se estendeu de 1941 a 1958, quando faleceu, foi um espaço de tempo em que a Igreja de Roma ficou em silêncio diante do nazismo. Mas este fato pertence ao passado. João XXIII propôs e conseguiu uma reforma dentro do espírito cristão, dentro do exemplo de Jesus Cristo.

Agora, vamos aguardar o conteúdo concreto da reforma que o Papa Francisco coloca diante da humanidade. Os obstáculos surgirão para medir a força de uma reforma que se destina a ser tão humana quanto Divina: talvez na visão do Papa, um encontro entre Deus e o ser humano. Aquele encontro que não chegou a se realizar num toque de mãos como MIchelangelo pintou e eternizou na Capela Sistina. A pintura retrata Deus com o braço estendido para tocar a mão de Adão e Adão com a mão estendida para tocar a mão de Deus. Mas fica o espaço entre elas. A pintura foi feita há 500 anos e, no fundo, desafia o passar do tempo. (Pedro do Coutto/ Tribuna da Internet).

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