Cultura

Entrevista com Ângelo Almeida, autor de “Viva o Povo Capelense”

Nascido em Capela do Alto Alegre, o escritor Ângelo Almeida relata histórias interessantes e divertidas sobre o povo da sua cidade em seu livro “Viva o Povo Capelense”, lançado em 29/05/2015.

Em entrevista ao site Interior da Bahia, Ângelo fala do seu livro, e também conta um pouco da sua história de vida.

“Nasci em 1973. Na minha infância, em Capela, era comum a gente brincar com nossos próprios brinquedos, como lança, o cabo de vassoura que se tornava cavalo, inclusive a gente saía com os amigos, mas, na época, os pais confiavam. O que marcou muito a minha infância foi quando íamos para o açude e o pessoal pescava peixe e fritava ali mesmo, e comíamos junto”.

“Foi uma infância muito divertida, muito criativa e participativa, muito diferente de hoje em dia, que as crianças costumam ficar apenas usando o celular. Foram justamente as lembranças desta fase que me inspiraram a escrever sobre Capela”

“Na adolescência, sempre estávamos muito focados em estudar, estudei na Senec. Era uma diversão e ao mesmo tempo tinha dificuldades, eu morava na rua Manoel Gonçalves e todos os dias subia a avenida Sete de Setembro para ir a escola”

Ângelo Almeida conta que, na adolescência, começou seus questionamentos que mudaram sua visão de mundo:

“Na adolescência se perdia a simplicidade da infância. Na minha época, existiam jovens que não vestiam determinadas marcas de roupa, eu via uma disputa por imagem , e isso não desceu na minha goela, vender a imagem de algo que você não é. Muitas pessoas copiavam aquilo que viam ao irem à Feira de Santana, era isso que ditava a moda da época.

Na época da minha adolescência, nossa região sofreu muito com a estiagem, lembro-me que na década de 1980, meu pai viajava para trabalhar no Mato Grosso, e em uma época, num contrato com uma empresa de corte de cana, ele levou cinco ônibus lotados de pessoas de Capela indo pra lá, devido a seca no nosso município”

“Após terminar meus estudos, fui para Salvador onde trabalhei com datilografia e fiz o curso de técnico de processamentos de dados da Bahia, então trabalhei na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia.

Tempos depois, um pouco cansado da rotina, fui em busca de novas alternativas, fiz bacharelado em teologia à distância, e estudei filosofia na Universidade Federal da Bahia. Sempre fui muito curioso e, através dessa curiosidade, sempre gostei muito de ler, sobre vários assuntos, só que mais focado em psicologia, psicanálise.”

A ideia do livro foi quando saí de Salvador, vim pra Capela, e comecei a revisar como as famílias viviam, busquei o humor e a alegria que perdemos na infância, época em que registrei os melhores momentos de Capela, ouvíamos muitas historias.

Pra esse livro, “Viva o Povo Capelense” consegui lembrar de histórias engraçadas, pegamos casos interessantes, histórias que na nossa infância ouvíamos os mais velhos contarem, figuras como Lindolfo João Carneiro e meu avô, Manoel Gonçalves, que era comerciante, entre outros.”

“Meu intuito é contribuir para não perdermos as nossas tradições, saber de onde somos, quem e o quê aprendemos, com o povo simples e guerreiro, e valorizar a nossa cultura, da identidade genuína do povo Capelense, na minha adolescência, o que eu não gostava de ouvir em Capela era a expressão de que o que é bom vem de fora, então pensei em mudar isso”

Além do livro dedicado a sua terra natal, Ângelo também escreveu na área de humanas  “Mediação dos conflitos familiares” e “SQL Server”, que é um dos mais vendidos nas lojas virtuais, na área de tecnologia de computação e programação de dados.

Por Alan Rodrigues/ Interior da Bahia

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