Cultura

Com 150 atrações, Campo Grande recebe o maior festival cultural da região

Após quase dois anos de restrições devido à pandemia de covid-19, Mato Grosso do Sul retoma a cena cultural com realização de um grande festival, o Campão Cultural. Seguindo os moldes dos tradicionais eventos de Bonito (MS) e Corumbá (MS), a capital sul-mato-grossense, Campo Grande, recebe até 5 de dezembro mais de 150 atrações artísticas no evento.

Desde segunda-feira (22/11), acontecem apresentações musicais, teatrais, exposições de arte, oficinas gastronômicas dedicadas aos ingredientes do cerrado e atividades educativas para alunos de escolas públicas da região.

Na terça-feira (23/11), o festival promoveu espetáculos teatrais  em algumas regiões periféricas da cidade, com as peças Romeu e Julieta, da Cia Talagadá (SP) e Uma Moça na Cidade, produzida por um grupo de Campo Grande. A renomada companhia de dança Grupo Corpo desembarcou com dois espetáculos: Gira (2017) e Primavera (2021). Pela primeira na capital do Matro Grosso do Sul, os bailarinos encantaram o público no  teatro Glauce Rocha, localizado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Muitos alunos de escolas de dança do Estado aproveitaram para conferir a produção da companhia. A montagem Primavera foi criada durante a pandemia e retrata com poesia a questão do isolamento. Em cena, a maioria dos bailarinos não se tocam, com exceção dos casais que são parceiros na vida real. A execução dos movimentos é feita com maestria, dando forma de unidade mesmo com os componentes estando separados.

Música

A música regional também ganha espaço dentro do festival. Jerry Espíndola (MS) ministrou uma palestra nesta quarta-feira (24/11) contando um pouco sobre o tradicional ritmo polca-rock, que foi criado e difundido por músicos sul-mato-grossenses. O estilo musical tem como principal influência a polca-paraguaia.

Para representar a cultura local, a Feira dos Saberes abre espaço para trabalhos de artesanato que ressaltam o protagonismo dos povos indígenas e afro-brasileiros — comunidades de grande influência na região. Campo Grande tem uma das maiores aldeias urbanas do país, local que também está contemplado pelo Festival.

Na Feira dos Saberes, além de apresentar produtos feitos por artistas do Estado, o público terá a chance de aprender a produzir algumas peças com oficinas gratuitas. O espaço também contará com gastronomia regional, roda de conversa sobre moda e designer, além de shows musicais.

Os brasilienses da companhia teatral Os Buritis também marcam presença a programação. O grupo se apresenta na capital sul-mato-grossense nesta sexta-feira (26/11), com o espetáculo Depois do Silêncio — obra inspirada em fatos reais da vida de Helen Keller (1880-1968), que mostra um mundo de descobertas e comunicação com o mundo exterior da jovem cega e surda. Helen perdeu a visão e a audição na infância, sem os dois sentidos primordiais para a interação social, ela se isolou e vivia em um mundo solitário, até a chegada da professora Anne Sullivan que apresenta a libras tátil para Helen.

A montagem conta com três atrizes e dançarinas em cena. Camila Guerra e Naira Carneiro interpretam Anne Sullivan e Helen Keller, respectivamente, e Renata Rezende (atriz surda), traz ao palco um contexto atual e autobiográfico, criando um diálogo paralelo entre as personagens de 1890 e os dias de hoje. O espetáculo é bilíngue, sendo encenado em português e em libras pelas próprias atrizes, tornando a apresentação inclusiva para surdos.

Quem estiver em Campo Grande e quiser conferir, a peça está em cartaz nesta sexta-feira (26/11), às 20h, no Teatro Elite Mace — localizado no centro da cidade. A entrada é gratuita e a classificação é de 12 anos. Veja a programação inteira do festival.

Diversidade

A pluralidade cultural é a principal identidade do Festival Campão Cultural, que estreia em Campo Grande. São espetáculos teatrais, de circo, dança, shows musicais, artesanato, gastronomia, literatura, além de intervenções de rua com grafiteiros renomados e atividades educativas para as crianças sul-mato-grossenses.

Coordenadora geral do evento, Soraia Ferreira ressalta que o intuito é ressaltar a produção local. “Temos artistas geniais, de diversas frentes, e que muitas vezes a população não conhece. A nossa ideia é mostrar a cultura do Mato Grosso do Sul. Cuidar do quintal da gente”, pontua. De acordo com a produtora cultural, das mais de 150 atrações confirmadas, 70% são locais. 

Entre os nomes que compõe a programação estão Atitude 67, Renato Teixeira, Duda Beat, os rappers Djonga e Dexter, a grafiteira Rafamon e os escritores indígenas Casé Angatu e Auritha Tabajara. No fim de semana, o festival ainda conta com batalha de dublagem com seis drag queens da cidade.

Uma produção que está sendo desafiadora, ao todo são 14 dias de eventos, espalhados por sete regiões de Campo Grande, além de dois distritos. “O festival conta com várias ações voltadas para a comunidade local, trazendo essa experiência para mais perto dos moradores”, destaca Soraia.

O secretário de Cidadania e Cultura MS (SECIC), João César Mattogrosso, pontua que ter um evento desse porte na capital era uma demanda antiga da cena cultural da cidade. “E já garantimos a segunda edição do evento, que ocorrerá em setembro de 2022”, antecipa. Ao todo, o governo investiu 5,3 milhões para esse evento. Verba que faz parte do pacote de retomada dos setores econômicos do Estado.

Protocolos

Apesar de toda a estrutura do festival, que se assemelha muito da experiência das produções culturais de antes da covid-19, a pandemia ainda não acabou. Todos os cuidados e protocolos de prevenção ao novo coronavírus estão sendo e devem ser seguidos, como a utilização de máscaras, a higienização com álcool em gel, além das atrações ao ar livre e de amplo espaço — a fim de evitar grandes aglomerações. “Ter 70% da população completamente vacinada, deu uma certa tranquilidade para produzir o evento. Mas os cuidados ainda precisam continuar”, ressalta Soraia Ferreira. (Fonte: Correio Braziliense).

To Top
%d blogueiros gostam disto: