Educação

Riachão: “Leia antes que seja tarde”, estudante Lorena Clarice publica internacionalmente

Moradora da fazenda Virgens, localizada às margens da BR-324, próximo aos povoados de Açude e Vila Aparecida, no município de Riachão do Jacuípe, Bahia. Lorena Clarice é uma adolescente estudante do 2º ano do ensino médio da rede pública estadual.

Filha de pais agricultores, o senhor Sidney e dona Francidalva, Clarice desde sempre recebeu incentivo da família para dedicação aos estudos, aliás o mundo da leitura e amor pela poesia lhe fora apresentado no seio do lar, através de cordéis, e assim ela tem se dedicado. Superando as dificuldades com o foco em todo incentivo que recebe, pois a região onde ela mora em algumas épocas do ano oferecem difícil acesso.

Em nosso encontro, a jovem escritora nos relatou sobre como foi ouvir a proposta, “parecia uma proposta comum, mas o detalhe que mais me tocou na proposta da Antologia foi o tema central: a saudade. Sob o título, “Somos feitos de Saudade”, a proposta dialogou diretamente com minha alma, mexeu nas emoções, no coração, senti que bastava ser eu, libertar os sentimentos, minhas saudades. Assim fiz, a seleção foi certeira, e minha felicidade também. Porque no fundo, acho que realmente sou feita de saudade”, falou-nos Clarice, emocionada.

Lorena Clarice nos contou que enviou dois poemas, e ambos foram selecionados, “andarilha da saudade” e “saudoso soneto”, ambos publicados pela EHS edições.

A construção do “andarilha da saudade” foi um resumo de minhas saudades, e o segundo, “saudoso soneto” é uma saudade específica, a minha Bisavó, Dona Madalena.

E as novidades não pararam por aí, Lorena Clarice também dividiu conosco a alegria de um feito de uma dimensão ainda mais surpreendente, no ponto de vista da adolescente e jovem escritora. Ela teve um dos seus textos traduzido para a língua espanhola, publicado em outra obra de antologia, desta vez pela Cogito Editora, a Cogito Internacional.

O texto “Leia antes que seja tarde”, traduzido para o espanhol “Leer antes que sea demasiado tarde” foi para a jovem, mais uma porta que se abre ao horizonte da poetisa em construção, como ela mesma se intitula.

Lorena Clarice é fonte de inspiração onde mora, e quem tem contato com seus escritos reconhece-a de imediato.

Ela escreve sobre temas diversos, mas todos eles, carregados de sentimentos. Um exemplo a seguir:

Alguns dias são de clamor

Ouço o canto dos pássaros;

a juriti, o cardeal e o sabiá.

Vejo a beleza desse azul imenso e vasto,

lá estão os que domam a ligeireza do passar.

Leve flores em vida, leve afeto.

Leve boas risadas, leve amor.

Leve luz aos que estão perto.

Leve aos dias cinzas, cor.

Ame os que te rodeiam agora,

seja gentil e atencioso.

Porque depois que for embora,

só fica a saudade e o pranto doloroso.

São os sussurros de clamor

de aflição e partida,

são a mutualidade da dor & amor

que restam para todo sempre na vida.

Ajoelho, rezo, peço, indago;

clamo a misericórdia de Deus.

Agradeço, me sinto viva

apesar dele ter levado alguns meus.

Sinto a dor e a partida

inflama- se a mesma ferida,

e eu torno clamar a misericórdia de Deus.

Por meio da poesia que ela escreve, demonstra o orgulho de suas raízes e o coração sonhador, a adolescente de 16 anos, moradora da zona rural, reconhece a luta daqueles que a educam e que se esforçam a cada dia para ver a concretização dos seus sonhos, não dizemos por vaidade, mas por ver que na Clarice filha, neta, sobrinha, amiga ou aluna.

Por Darli Alves/Interior da Bahia

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