Política

Brasil precisa de um novo Itamar Franco, que venceu a inflação e soube conter a dívida pública

O general Golbery do Coutto e Silva nem era verdadeiramente general, pois abandonara o serviço ainda como coronel e ganhara a promoção por generosidade corporativa militar, digamos assim. Mas era um oficial verdadeiramente superior.

Itamar Franco, um político que soube honrar a Presidência (Foto: Paulo Fridman/Getty Images)

Parodiando a teoria do artista plástico americano Andy Warhol, que previa a fama por apenas 15 dias, Golbery costumava dizer que a memória do povo brasileiro também dura apenas 15 dias. Depois disso, o assunto de Golbery ou a fama de Warhol logo se esgotariam, para cair numa espécie de esquecimento coletivo.

Este raciocínio de Golbery parece mesmo ser verdadeiro e explica muita coisa na política. Aliás, não por mera coincidência, o cineasta Glauber Rocha, que jamais foi militarista, considerava Golbery o “gênio da raça”, por ter sido eminência parda da ala moderada do regime militar, que enfrentava a chamada linha dura de Costa e Silva, Emílio Médici e Silvio Frota.

FOI DEMONIZADO – Principal mentor da abertura política nos governos de Ernesto Geisel e João Figueiredo, como chefe da Casa Civil, Golbery acabou abandonando o Planalto em agosto de 1981, em protesto à reação da linha dura, que cometera os atentados a bomba na Tribuna da Imprensa e no Riocentro.

Embora tenha sido demonizado pela esquerda, o fato concreto é que, sem a moderação de Golbery, o regime militar brasileiro teria sido ainda mais truculento, e a História há de perpetuar esses fatos.

Hoje, um pensador como Golbery, autor do livro “Geopolítica do Brasil”, faz falta ao governo paramilitar de Bolsonaro, que se desfez do mais preparado oficial de seu entorno, o intelectualizado general Otávio Rêgo Barros, que poderia ter sido o conselheiro ideal desse estouvado e despreparado capitão, que só chegou ao poder pela ironias do destino.

TESTANDO GOLBERY – Agora, estamos no decisivo ano eleitoral, em que será testada ao vivo e a cores a teoria de Golbery. Na disputa presidencial, veremos se a memória do brasileiro dura apenas 15 dias, ou o eleitor vai lembrar o passado recente.

Na hora de votar, não podemos esquecer que houve governos “beirando a irresponsabilidade”, como na era dos tucanos privatistas”.

Depois, tivemos o mensalão e o petrolão do petismo, quando Lula da Silva, José Dirceu, Antônio Palloci e muitos outros enriqueceram surpreendentemente.

MAIS LEMBRANÇAS – Em seguida, precisamos lembrar a derrocada econômica e as pedaladas de Guido Mantega e Dilma Rousseff. Logo depois, o início da venda dos ativos da Petrobras no curto governo do corrupto Milton Temer, chefe do chamado “quadrilhão” do PMDB.

Mas recentemente, tivemos o tratoraço, o orçamento secreto, as emendas sem dono e a transformação do Brasil no país da impunidade, na gestão de Bolsonaro, que se aliou aos mestres da corrupção e ainda alega ter moralizado a administração pública, vejam a que ponto chegamos. (Carlos Newton / Tribuna da Internet).


P.S.Como diziam os sambistas Aldacir Louro, Aluizio Marins e Adolfo Macedo, criadores do eterno sucesso “Recordar é Viver”, é preciso sonhar que podemos reviver o passado. Assim, nas eleições, seria oportuno que os brasileiros votassem em alguém como Itamar Franco. Em sua breve gestão, o político mineiro tirou o Brasil da inflação e deixou a dívida pública em meros R$ 60 bilhões. Depois dele, uma sucessão de governantes irresponsáveis elevou essa dívida para R$ 5,5 trilhões. Atenção, são trilhões. Portanto, se o eleitor não tiver juízo, logo serão quaquilhões, como dizia o Tio Patinhas. (C.N.)

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