Política

Bolsonaristas espalham festival de fake news para desestimular a vacinação das crianças no país

Algumas inverdades que têm sido propagadas por ativistas antivacina mascaradas de dados científicos têm o potencial de causar grandes danos à campanha de vacinação infantil, indispensável para a proteção de nossas crianças, e à vacinação em geral, em que ainda temos muitos brasileiros que não voltaram para fazer sua segunda dose ou sua dose de reforço, além dos que se recusam a se vacinar.

Têm sido muito propagados vídeos e afirmações de um doutor Robert Malone, que diz ser o criador da metodologia mRNA hoje sendo usada na fabricação de vacinas, dizendo que estas podem causar grandes e irreversíveis danos aos vacinados.

FALSO CRIADOR – Robert Malone, que (ao contrário do que diz) NÃO FOI o criador dessa metodologia, é apenas um dos muitos cientistas que a vêm pesquisando faz muitos anos, já foi extensamente refutado por seus colegas.

Sua afirmação principal é de que as proteínas cuja produção é induzida no corpo dos vacinados para ativar a resposta imune do organismo são idênticas às do vírus ativo da Covid, quando na verdade não são e não são capazes de provocar a infecção.

PRETENSOS DANOS – Outra mensagem divulgada é uma lista de pretensos danos causados em pacientes pela vacina, por uma tal organização de “Advogados pela Verdade”. Esta lista contém informes retirados de uma base de dados (em estado bruto) do Vaccine Adverse Event Reporting System (VAERS) americano. A mensagem omite que o próprio sistema VAERS avisa que os dados em estado bruto não são confiáveis porque o sistema, sendo concebido como um “early warning system” para monitorar avisos e direcionar os esforços de comprovação dos cientistas, permite que qualquer pessoa coloque nele dados sem comprovação (“VAERS accepts and analyzes reports of possible health problems—also called “adverse events”—after vaccination. As an early warning system, VAERS cannot prove that a vaccine caused a problem. Specifically, a report to VAERS does not mean that a vaccine caused an adverse event”) – link:

Aliás, logo o primeiro caso da lista dos “Advogados pela Verdade” mencionando que um jovem vacinado se suicidou declara especificamente na base de dados que o paciente tinha histórico de distúrbio mental.

APENAS COLETA – O VAERS não disponibiliza ao público os resultados aferidos e corrigidos porque isso é feito em outros sistemas científicos; o VAERS é um sistema de COLETA de dados, disponibiliza os dados coletados por questão de transparência para com os coletadores; não é um sistema de ENTREGA de dados ao público. Para isso o governo americano disponibiliza resultados em outro site: https://www.cdc.gov/vaccinesafety/research/index.html

Outra desinformação espalhada são declarações da médica Roberta Lacerda, uma dos médicos antivacinas convidados pelo grupo governista para a audiência pública convocada sobre a vacinação infantil, dizendo que a vacinação das crianças é um erro terrível.

Roberta Lacerda, feroz defensora do “tratamento precoce” para a Covid, já cientificamente desacreditado, tem sua credibilidade altamente comprometida por divulgar dados como, por exemplo, que a vacina provocaria magnetização do vacinado, transformando as pessoas em imãs capazes de atrair objetos metálicos.

E a médica já distorceu dados de especialistas israelenses para insinuar que as vacinas são ineficazes:

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS – Outra divulgação desinformativa é de uma análise (?) sobre a audiência pública feita pelo Ministério da Saúde. Não vou entrar aqui na incoerência de fazer uma audiência pública sobre assunto essencialmente técnico) feita por Patrícia Castro, que se define como “esposa, mãe e jornalista” e é frontalmente contrária à vacinação.

Uma análise sumária do perfil dessa senhora no Instagram (@acastropatricia) basta para mostrar a quantidade de slogans antivacina e de teoria de conspiração tipo as que culpam Bill Gates por financiar as vacinas para diminuir a população do mundo, as que negam a existência da pandemia, dizendo que é uma invenção da “big pharma” para ganhar dinheiro (convenientemente se esquecendo das centenas de milhares de mortes no nosso país) e o seu claro viés político no assunto.

FALSA LIBERDADE – O maior mal que as publicações antivacina causam é que, em nome de uma falsa liberdade que não pode se sobrepor ao bem comum, as pessoas que não se vacinam prejudicam o funcionamento das vacinas na contenção da pandemia, causando mais casos de infecção e mortes.

A vacinação não é uma opção individual, porque quem é prejudicado por alguém não se vacinar não é apenas o que não se vacina, mas sim todo o resto da população.

Muitas outras inverdades do tipo dessas são facilmente identificáveis com um mínimo de pesquisa; ninguém precisa ser médico ou especialista para detectar as inconsistências. Infelizmente muitos leitores passam adiante aquilo que se parece com o que foram levados a acreditar, sem terem noção de sua responsabilidade individual neste verdadeiro tempo de guerra, com a sobrevivência do povo ameaçada por uma pandemia real e perigosa. (Wilson Baptista Junior / Tribuna da Internet).

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