Política

Golpe: Juristas, empresários e artistas lançam manifesto pela democracia que Bolsonaro ameaça

Acentuando a reação contrária às ameaças diretas e indiretas do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral e à democracia, juristas, banqueiros, empresários, entidades de classe e artistas vão lançar no dia 11 de agosto, na Faculdade de Direito da USP, um documento endereçado às brasileiras e brasileiros na defesa do estado democrático de direito contra as investidas do presidente Jair Bolsonaro, a começar contra o processo eleitoral.

O presidente participa da formatura de militares no Rio (Fernando Frazão/Agencia Brasil)

As ameaças atingiram um ponto extremamente crítico quando fez o pronunciamento aos embaixadores e representantes diplomáticos de países estrangeiros. Mônica Bergamo, no espaço que ocupa na Folha de S. Paulo, destacou a iniciativa da mesma forma que Ivan Martinez-Vargas, na edição de O Globo desta terça-feira.

“CARTA AO BRASIL” – A data escolhida é a que marca o início dos cursos jurídicos do país, local também em que em 1977 houve manifestação coordenada pelo professor Goffredo da Silva Telles no documento que ganhou o nome de “Carta ao Brasil”. Agora, o documento tem como título “Carta às brasileiras e brasileiros”, o que sem dúvida representa um destaque à participação da mulher no processo político brasileiro. O manifesto será lido no pátio das arcadas pelo ministro aposentado do STF, Celso de Mello.

Os articuladores sustentam que o documento é uma resposta às ameaças golpistas e pretendem reunir três mil assinaturas, incluindo os banqueiros Pedro Moreira Salles, João Moreira Salles, Candido Bracher, o ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, José Olimpio Pereira, e os empresários Guilherme Leal, Pedro Passos, Fábio Barbosa, Horácio Lafer Piva e Walter Schalka. Entre os juristas, além de Celso de Mello, figuram Sepúlveda Pertence, Carlos Ayres Britto e Sydney Sanches, ministros aposentados do STF. Entre os artistas, o manifesto foi assinado por Chico Buarque de Hollanda.

Bolsonaro procura agradar os militares para as suas ações

O documento, na minha opinião, repercutirá com intensidade no panorama nacional e seu peso é acrescentado pelo ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung e pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Trata-se de um manifesto contra o fantasma de uma ditadura.

RADIOGRAFIA – Numa excelente entrevista na noite de segunda-feira na GloboNews, coordenada por Natuza Nery, e com a participação de Fernando Gabeira, Miriam Leitão, Andréia Sadi, Flávia Oliveira, Valdo Cruz, Julia Dialib e Gerson Camarotti, a senadora Simone Tebet fez uma verdadeira radiografia do panorama político brasileiro e acentuou que o orçamento secreto tornou-se talvez o maior esquema de corrupção da história do Brasil.

Condenou de forma veemente o orçamento secreto e destacou que o governo Bolsonaro não apresentou até hoje nenhum projeto concreto de desenvolvimento econômico e social, utilizando o Auxílio Brasil e outros benefícios sociais como instrumento eleitoral.

CONFIANÇA – Tebet considera-se uma das maiores vítimas do mecanismo fisiológico que privilegia com recursos públicos os aliados do Palácio do Planalto. Acusou o ministro Paulo Guedes de não realizar o menor controle da distribuição de verbas públicas e recursos orçamentários, e manteve a confiança de que o MDB a escolherá como candidata do partido à Presidência da República.

A convenção da legenda está marcada para hoje e ontem o ministro Edson Fachin negou o recurso de uma corrente do partido que desejava adiar o evento. Se Simone Tebet permanecer como candidata estará oferecendo ao país uma análise objetiva e extremamente crítica aos atuais rumos do Brasil de hoje.

RECURSOS – Na noite de segunda-feira, logo após a excelente entrevista de Simone Tebet, os fatos chegaram ao povo através do Jornal Nacional da Tv Globo e da própria GloboNews : incrivelmente, o governo para poder pagar o aumento do Auxílio Brasil, o vale dos caminhoneiros, o vale dos taxistas, além do vale-gás, tomou uma iniciativa absolutamente singular e comprovou a falta de recursos financeiros da União para custear o projeto eleitoral que envolve R$ 41 bilhões.

O Tesouro Nacional – absolutamente incrível – solicitou às estatais Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES que antecipem ainda este ano o pagamento de dividendos que cabem à União por seus lucros para tornar possível promessas feitas sem noção das despesas relativas, omissão do ministro Paulo Guedes.

O secretário especial do tesouro e Orçamento, do Ministério da Economia, Esteves Colnago, revelou a iniciativa e que ao contrário do que o governo anunciou não há previsão orçamentária para manter a partir de janeiro de 2023 o aumento para R$ 600 do Auxílio Brasil. A previsão baseia-se no limite de R$ 400. (Pedro do Coutto / Tribuna da Internet).

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