História

Queimadas perde patrimônio histórico

Construído há 215 anos e com uma história digna de ser romanceada, o prédio da antiga Estação Ferroviária de Queimadas, testemunha da passagem de tantas gerações, desabou no último dia 14 de outubro, deixando a comunidade mais pobre em termos de patrimônio histórico.

Não foram poucas as manifestações de desagrado de populares de Queimadas que reconhecem o valor desse monumento. Eles propõem uma reflexão sobre a atual situação do patrimônio cultural do município, que tem uma população de 28 mil habitantes e está localizado no semi-árido baiano, a 300 km de Salvador. 

A Estação da Leste, como  o terminal ferroviário é  conhecido, ou era, já que desabou, foi onde desembarcaram o escritor carioca Euclides da Cunha e cerca de 12 mil soldados vindos de 17 estados brasileiros durante a Guerra de Canudos, que se encerrou em 1897, teve enorme repercussão na época e foi inserida definitivamente na história da Bahia.

Construído em 1894, o prédio é um dos mais antigos de Queimadas, tendo sido restaurado durante o governo de Getúlio Vargas, em agosto de 1943, como conta Nonato Marques no livro Santo Antônio das Queimadas, que relata a história do município desde o seu surgimento.  

A possibilidade de o terminal ferroviário ser tombado como patrimônio histórico-cultural do município foi alvo recentemente de debate na Câmara de Vereadores local sem sucesso. O que também foi tentado em relação a outros monumentos, a exemplo da antiga sede da Prefeitura Municipal, centenário prédio  que se pretende transformar em uma biblioteca pública.

“Queimadas ganha mais uma ruína para sua coleção de monumentos históricos que não são conservados, até que o tempo os destrua, restando apenas a lembrança do ‘já teve’”, lamenta o jovem Carlos Alexandre (Carlos Artes), indignado com o descaso das autoridades em relação à preservação do patrimônio histórico do município. 

Por Pedro Oliveira

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