História

Rejeitado projeto que homenagearia cangaceiro Lucas da Feira com nome de rua

Depois de uma polêmica sessão, na última quarta-feira (04), a Câmara de Vereadores de Feira de Santana reprovou por maioria dos votos o projeto de lei que propõe homenagem ao ex-cangaceiro Lucas da Feira.

A proposta, de autoria do vereador Marialvo Barreto (PT), sugeria o nome de Lucas da Feira a uma travessa no bairro Pedra do Descanso, na cidade. “Há uma grande parte da comunidade que deseja ver um logradouro público com o nome de Lucas; não há esse preconceito que se imagina contra ele. O cordel sobre ele é o mais vendido na cidade”, afirmou o petista.

Marialvo ressaltou que Lucas foi perseguido e punido pelas elites locais de sua época. “Ele lutou para fugir da chibata, por não tolerar a escravidão”. Conforme dados levantados por historiadores, disse Marialvo, vários crimes foram imputados a Lucas, como estupros e assassinatos, que na verdade foram cometidos por outras pessoas.

“Lucas tem sua parte bandida; não posso dizer que ele não cometeu crimes, mas tem parte da resistência contra a escravidão. É o que a comunidade da Pedra do Descanso quer homenagear”, declarou ele, ao defender a aprovação da matéria. Para tentar sensibilizar os colegas, lembrou que a Câmara criou um dia dedicado ao perdão. “Creio que seria justo, portanto, perdoar Lucas por seus crimes e lhe conceder esta homenagem”.

O vereador Carlos Alberto Costa Rocha salientou que o nome de Lucas da Feira foi usado negativamente, por muitos anos, para denegri-lo. “Mas se for colocar na balança, muitos negros tiveram que fazer o que Lucas fez para sobreviver”, disse, ao apoiar a aprovação do projeto.

Outro que se mostrou favorável foi o Frei Cal, conhecido militante dos movimentos de defesa dos direitos dos negros, alegando que muitos estudantes estão pesquisando, para evitar que a história não seja contada de modo a denegrir a imagem de Lucas. “A exemplo de Zumbi dos Palmares, Lucas teve sua trajetória contada negativamente por muitos anos. Hoje, Zumbi é personalidade respeitada em todo o mundo”.

Contrários

 

O vereador Roberto Tourinho disse que historiadores relatam que Lucas seria marginal e salteador, enquanto outros o consideram um Robin Hood, que tirava dos ricos para dar aos pobres. “Historiadores como Franklin Maxado, Monsenhor Renato Galvão e Hugo Navarro relatam uma vida criminosa atribuída a Lucas”, disse, justificando que votaria contrário à homenagem. Quanto à comparação com Zumbi dos Palmares, Tourinho observou que esse antigo escravo tem uma história de luta diferente.

O vereador Ailton Araújo também declarou que os relatos sobre Lucas da Feira, que o consideram herói e bandido, são “muito contraditórios”, razão pela qual iria abster-se da votação.

José Sebastião disse que também iria abster-se da votação ao projeto. Lembrou que a discussão foi importante, para que a trajetória de Lucas da Feira fosse contada pelos que conhecem a história da cidade.

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